quinta-feira, 9 de abril de 2009

Programa: Nú com Linfomaníaco II


Fiquei algum tempo sem postar, não é mesmo, mas venho com uma novidade, a continuação do programa "Nu com Linfomaniaco", boa leitura;


Linfomaníaco - Olá pessoal, aqui estamos para mais um bloco de “Nu Com Linfomaníaco"... como vocês se lembram estávamos conhecendo um pouco mais o Linfoma Não-Hodgkin....

[vaias]

...Pois é acho que não gostaram muito daquele seu comentário eheheh...

Linfoma Não-Hodgkin - Ahh... não sou muito de ligar para a opinião dos outros, a maioria preferiria não me conhecer, ou só me conhecer pelos livros e histórias que ouvem...

L. - Bom... voltemos a nossa calorosa entrevista...
No ultimo bloco você nos disse que você se define em dois termos: Indolente e Agressivo, e que o agressivo responderia muito melhor ao tratamento, mas cá entre nós, qual seria esse tratamento?

L.N.H. – Vejamos por onde começo... após o diagnóstico, e fazer algumas biópsias e exames, o paciente parte para a quimioterapia, que com algumas substancias fazem com que minha massa (em outras palavras, meu tamanho) diminua e me destrua conseqüentemente, triste não??? Não é em todos os casos mas pode ser feito ainda um transplante de medula óssea e finalizando a radioterapia...

L. – Nossa é algo demorado então. O que seria essa quimioterapia?

L.N.H. – A quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer é chamada de antineoplásica ou antiblástica. O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia (diminuição da atividade formadora dos tecidos orgânicos) medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas.

L. – E o que é essa tal medula óssea?

L.N.H. - É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por 'tutano'. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.

L. – E o que seria o transplante de medula óssea?

L.N.H. – Esse tipo de tratamento só é para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue. Ele é a substituição de uma medula doente, por células normais de medula, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula. O transplante pode ser separado em 2 tipos: autólogo ou autogênico, quando a medula ou as células provêm do próprio indivíduo (receptor). Ele é alogênico, quando a medula ou as células provêm de outro indivíduo (doador). Mas não é assim tão fácil, para o transplante ser bem sucedido ambos, doador e receptor, devem ser compatíveis.

L. – Como assim?

L.N.H. - Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes que devem ser iguais entre doador e receptor. Esta análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue, chamados de exames de histocompatibilidade. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 35%, e de um doador com nenhum grau de parentesco é mais difícil ainda, porém há casos, e inclusive um banco de doadores.

L. – E como posso participar desse banco para possivelmente ajudar alguém?

L.N.H. - Você precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante). É possível se cadastrar como doador voluntário de medula óssea nos Hemocentros em todos os estados. Em São Paulo, além do Hemocentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, temos ainda Hemocentro Regional de Ribeirão Preto, Hemocentro Regional de Marília, Hemocentro Regional de Campinas e o Hemocentro Regional de Botucatu. Na doação será retirada uma pequena quantidade de sangue (5ml) e preenchida uma ficha com informações pessoais. Seu sangue será tipificado por exame de histocompatibilidade (HLA), que é um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que podem influenciar no transplante. Seu tipo de HLA será incluído no cadastro. Seus dados serão cruzados com os dos pacientes que precisam de transplante constantemente. Se você for compatível com algum paciente, outros exames de sangue serão necessários. Se a compatibilidade for confirmada, você será consultado para confirmar que deseja realizar a doação. Seu atual estado de saúde será avaliado. A doação é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação por um mínimo de 24 horas.

L. – Ahh, e dói?

L.N.H. – O doador sente um incomodo nos dias seguintes, mas no ato da doação, ele será anestesiado.

L. – Incrível nossa tecnologia médica heim!!! Ahh, e você ainda tinha dito algo sobre uma tal radioterapia não é mesmo, mas isso vai ficar para o próximo bloco, onde teremos a resposta ao que seria radioterapia, reações e efeitos colaterais dos tratamentos, e muito mais...não percam.

1 comentários:

Cristine disse...

Adorei, Tadeu!

Parabéns por ser tão claro nas explicações, e de forma tão bem humorada.

Assim como a Abrale editou o "Dodói da Gigi", para explicar o que é Leucemia para as crianças, sua série de entrevistas pode também se transformar num novo manual sobre linfomas!

Beijo